Já foram investidos R$ 400 milhões no complexo, que a Chesf espera concluir até outubro do ano que vem

Concebido para ser o primeiro parque eólico da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) no país, o parque Casa Nova I segue sem ter sido concluído nove anos depois do leilão no qual a estatal arrematou o lote.

A Folha encontrou no local um cenário de terra arrasada, com
turbinas eólicas abandonadas em meio a um terreno rodeado apenas por uma cerca
de arame. Ao todo, R$ 400 milhões já foram investidos no complexo. 

Com ares de monumento à ineficiência, o imbróglio dá
combustível à ala do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ligada ao
ministro da Economia Paulo Guedes que defende a privatização da Eletrobras e de
suas subsidiárias —dentre elas, a Chesf.

A estatal, responsável pela construção e gestão das principais
usinas hidrelétricas do Nordeste —como as de Paulo Afonso, Sobradinho e Xingó,
no rio São Francisco—, decidiu investir no segmento de energia eólica no final
da década passada, ainda durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula
da Silva(PT). 

A ideia inicial era erguer três parques eólicos com
capacidade instalada de 180, 28 e 26 megawatts cada. O maior deles seria o
parque Casa Nova I, cuja autorização para construção foi concedida em
2010, com meta para ser concluído em 2013. 

O andamento da obra, contudo, foi prejudicado pela crise
da Impsa, empresa argentina contratada pela Chesf para
fornecimento e montagem dos aerogeradores que entrou em recuperação
judicial em 2011. Das 120 torres previstas para o parque, só 30 foram montadas.

A Chesf dispensou os funcionários que trabalhavam na construção do parque e paralisou as obras. Desde então, o canteiro de obras tem sido alvo de furtos, e equipamentos foram danificados pela falta de manutenção.

Adeilson Soares mora ao lado das Torres do Parque Eólico de Casa Nova, no norte da Bahia, às margens do Lago de Sobradinho – Raul Spinassé/Folhapress

Folha de São Paulo